Este sim!
Este é um 4×4! Um ‘Todo o terreno’! Um verdadeiro ‘Vai a todo o lado’!
Sras e Srs… Este NÃO é um SUV!!
Todavia, e mesmo contando apenas com dois lugares (versão ‘comercial’), custa mais do que muitos SUV’s de 5 lugares, com preços a partir de uns estratosféricos 57.500€!
Irrelevante nesta fase será mencionar a classe 2 nas portagens, pois como rapidamente perceberão, Auto estradas com este Rubicon são algo a evitar…
Mas voltemos um pouco atrás…
No dia em que fui levantar este Jeep Wrangler Rubicon caí na asneira de: a) me fazer acompanhar por mais duas pessoas e b) ter deixado a minha Mulher sair de casa com uma saia mais travada!
Este Rubicon impressiona num primeiro contacto visual, não tanto pela sua largura ou comprimento mas sobretudo pelo seu ar de ‘durão’ em jeito de ‘não pago e não tenho medo de ninguém’.
O facto de apresentar mais de 1.87m de altura bem como uma generosa altura ao solo superior a 25cm, contribui ainda mais para o ar de ‘jipão’ e, sem qualquer sombra de dúvida, que nos faz sentir indestrutíveis…. Pelo menos até abrirmos a porta (desmontável) com um ar algo frágil.
A resolução do problema a) requereu apenas uma chamada para um Uber, enquanto que face à dificuldade b) a difícil intransponibilidade do rácio saia/ângulo de alcance, outra solução não me deixou senão pegar na donzela ao colo para que pudesse sentar-se de forma minimamente elegante (leia-se ‘pouco reveladora’) nos confortáveis bancos revestidos a pele (extra por 1.400€).
Apesar de um habitáculo modernizado em muitos aspectos e contando com a presença de um ecrã táctil de 8.4”, bem como de um um segundo com 7” no quadrante da instrumentação, não deixamos de sentir um ambiente algo agreste e espartano, com profusão de plásticos rijos.
O vidro frontal completamente plano (rebatível) e bastante próximo da nossa cara denuncia a verdadeira idade deste conceito o que, se para os mais conservadores acaba por ser um ponto positivo, para mim é só um pouco claustrofóbico.
O novo 2.2CRD (2.143cm3) que equipa agora o Rubicon, acorda para a vida de forma audível e com um valente safanão que percorre toda a estrutura. Debita 200cv a tão somente 3.500rpm e um generoso binário máximo de 450Nm às 2.000rpm. A transmissão integral (com diferencias bloqueáveis de forma independente) é efectuada agora por uma caixa automática de 8 velocidades com redutoras.
As primeiras 24h de convívio com o Rubicon foram feitas exclusivamente em estrada, onde a sua condução se revela pouco agradável e desajeitada.
Como se não bastasse, dessa utilização 95% foram percorridos em Autoestrada a velocidades de 120/130km/h.
Conseguem imaginar um Porsche 911 a fazer um percurso trialeiro com pedras e areia solta?
Pois… então é mais ou menos assim que o Rubicon se sente em estrada aberta… Completamente fora de jogo!
O equipamento pneumático presente neste modelo (BF Goodrich Mud/Terrain), não só torna a direcção vaga e desprovida de sensibilidade, como acima de 80/90km/h aporta um nível de dB a raiar o insuportável, tornando viagens longas em autênticas penitências.
Em face dos seus (fracos) dotes aerodinâmicos, pneumáticos 255/75 e o já referido vidro plano na dianteira, não só nos tornamos os piores inimigos dos insectos como se torna difícil rubricar consumos melhores do que 9.5/10 mesmo em ritmos bastante descontraídos de viagem. Se a isto somarmos a malfadada classe 2 e uma valente dor de cabeça, percebe-se melhor quando dizia no princípio deste texto ‘Auto estradas com este Rubicon são algo a evitar’?
Valem os bancos bastante confortáveis e envolventes, bem como uma excelente visibilidade para todos os cantos do carro… perdão… do Jipe!
Por esta altura deverão estar a pensar: ‘Então mas este gajo foi ensaiar um Rubicon para a Autoestrada’?
Também, mas não só…
Caso contrário, ainda estaria a criticar os 160km/h de velocidade máxima, ou o facto de a 130km/h, mesmo em 8ª velocidade, já o ruidoso 2.2CRD roda com 2.500rpm, o que a juntar aos dB provenientes dos pneumáticos… Toda uma saturação!
Mas vá, não posso deixar de mencionar os 9.6s de 0-100km/h como algo de surpreendente num veículo com esta tipologia e com mais de 2.000kgs na balança.
Levei então o Rubicon para terras algarvias e literalmente para o meio da serra!
Por caminhos de terra, pedras, areia e lama, então sim o Rubicon pode brilhar, pois afinal de contas, é aqui que um jipe se quer!
Nestes cenários, a combinação dos pneumáticos ‘todo o terreno’ com as redutoras, diferenciais bloqueáveis e barras estabilizadoras desligáveis electronicamente, torna  percursos aparentemente intransponíveis em agradáveis passeios de Sábado à tarde.
O generoso binário de 450Nm, alia-se a uma notável capacidade de tracção e facilita progressões sem qualquer esforço, mesmo quando as inclinações apresentadas apenas nos permitem ver o azul do céu diante dos nossos olhos.
No percurso inverso, o ‘Hill descent control’ gere a velocidade de descida de forma autónoma, sem que haja a mais pequena necessidade de tocarmos no pedal do travão… Por sinal, bastante esponjoso.
Convirá referir que a taragem da suspensão não é propriamente das mais macias que conheço e que esta toda esta facilidade de progressão quando em ‘off road’ não deixa de nos brindar com uns valente safanões e/ou sacudidelas laterais!
É nesses momentos que o pendura percebe o porquê da existência de uma pega mesmo à sua frente…
No final de uma tarde bem passada, detenho-me a admirar as laterais vermelho fogo (extra por 950€) do Wrangler, agora devidamente adornadas com generosas pinceladas de lama e não deixo de pensar ‘Assim, ficas bem melhor!’
A modularidade da carroçaria é notável e de jipe ‘durão’ pode mesmo assumir uma vertente ‘extreme’, perante a possibilidade de se extrair ambas as portas, rebater o vidro dianteiro, assumir uma configuração ‘targa’ ou até mesmo completamente ‘cabrio’!
O carisma deste produto é inegável e a sua exclusividade de ‘hardcore off roader’, fazem dele um carro de culto por entre os puristas do ‘todo o terreno’.
Pena é realmente o seu preço e o facto de eu ainda ter mais 300km de Autoestrada pela frente até Lisboa…
Texto e fotos: Pedro Bastos