Cansado de direcções assistidas ‘a braço’ e de ares ‘forçados’ em lugar de ‘condicionados’, decidi avançar para a compra de um ‘saloon’ recordista de vendas em Portugal, tb conhecido pelo ‘ BMW dos pobrezinhos’… o Lancia Dedra 1.6ie! O meu chamava-se 52-14-AM e era de 1992.

Na altura em que decidi avançar para a compra do carro, trabalhava então num banco que disponibilizava os carros dos seus quadros superiores aos empregados (através de candidatura) por um preço mais ‘vantajoso’ e apesar do meu ‘AM’ já contar com 93.000km na altura, tinha apenas 3 anos e tinha sido sempre assistido na marca. 
1.300contos (eur6.500) era o preço pedido e, 9 meses decorridos depois da compra do Vitesse, fiz continhas à vida e atirei-me de cabeça!

A direcção assistida e o AC automático eram a 8ª maravilha do mundo!! Estava fascinado!! Fascinado ao ponto de rapidamente ignorar o carácter bastante ‘pastelão’ do Dedra… 90 cavalitos para 1.350kg não fazem milagres, sobretudo numa altura em que vinha de um carro bastante mais leve, com 101cv!
Obviamente que o que perdi em prestações, ganhei em conforto; as suspensões eram muito macias, o espaço era abundante, as poltronas (mesmo!) eram fantásticas e, somando uma generosa dotação de equipamento (até cortinas traseiras tinha de origem), a ‘vida a bordo’ era extremamente agradável!
Por outro lado, o peso extra e a escassez de cavalos contribuíam para uns consumos pouco simpáticos, andando sempre na casa dos 9/10litros em utilização mista. Mesmo orientado  pelo indicador de economia, dificilmente conseguia médias inferiores a 8l/100, traduzindo-se sempre em ritmos muuuuito ‘moderados’ (leia-se ‘lentos’)…
Apesar da má fama em termos de fiabilidade, ao longo dos 50.000km que fiz com ele, o ‘AM’ nunca me deu problemas de maior. As revisões ‘simples’ podiam ser feitas ’em casa’, pois o 1.6 ficava a ‘nadar’ dentro do compartimento reservado ao motor e todos os componentes de substituição frequente eram de fácil e rápido acesso.
Uma anotação final para a capacidade da mala…. graaaande, a roçar os 480litros! O carro tinha uma certa ‘presença’ e em termos de conforto/equipamento/espaço era do melhor que tinha experimentado até então…  A ‘anemia’ do motor e os consumos altos foram assim a ‘parte menos boa’ da minha relação com o ‘AM’.
Cenas dos próximos capítulos….. ‘O meu primeiro carro novo!’
Stay tuned….