Texto e fotos: Pedro Bastos
Experiência inerente à condução de todos os Smart que conheci até hoje, é aquela que, necessariamente implica uma dose generosa de vibrações, ruído elevado das unidades propulsoras e caixas de velocidades perfectíveis.
Esta versão ‘Electric Drive’ do Smart ForFour reescreve assim, e de uma assentada, todos esses ‘problemas’!
É extremamente suave, muito silencioso e desprovido de caixa de velocidades!
E digo-vos mais, eu considero o carro tão melhor, que aplaudo de pé a decisão da Smart em passar a vender, já em 2020, somente modelos 100% elétricos.
Afinal de contas, que melhor motorização poderá haver para um veículo que é um citadino por excelência?
Por fora, é um ForFour igual a tantos outros, ou seja, acho-o feio c’mós travões! Ainda assim, a escolha cromática pouco vulgar encontrada para este modelo até acho que suaviza a minha falta de empatia com este design ‘fortwo em versão XL’. Gosto particularmente do formato das luzes diurnas em LED, que lhe conferem um ar verdadeiramente futurista e ‘clean design’ numa frente predominantemente branca.
No interior, poucas diferenças há a registar. sendo uma delas o manómetro à esquerda com indicações de carga restante de bateria e percentagem de potência utilizada/fase de carga. Na versão ensaiada, os bancos dianteiros em pele e aquecidos, pecam por uma falta de apoio gritante e a posição de condução ficou longe de me agradar. Todavia, um volante multifunções de design muito moderno e de tato agradável marca pontos positivos, apesar de alguns comandos (nomeadamente os do cruise control) um bocadinho ‘dispersos’. O espaço habitável é bastante melhor na dianteira do que na traseira, sendo que a mala se mantém idêntica à dos seus manos com motor de combustão, com os mesmos 185 litros.
O ecrã central é de excelente visibilidade e de utilização fácil, primando por um design muito cativante e arrojado. No entanto, achei-o um pouco lento na resposta e por mais do que uma vez, ‘encravou’ o sistema Bluetooth ao terminar uma chamada telefónica.
Em termos de ergonomia, deixo uma crítica em relação ao posicionamento dos comandos dos vidros elétricos, estando estes tão recuados que me resultou mais fácil operar os ditos com a mão direita!
Terminadas as ‘banalidades’, passemos ao que interessa…
A marca anuncia uma autonomia de 155kms para este 4/4 ED com 82cv, sendo que o melhor que consegui, em modo ECO e com pé muito leve, foram 104kms com a bateria a acusar 13% de carga, ou seja, até zero, faria, na melhor das hipóteses mais 10/12kms.
Em modo ‘descontraído’, e capitalizando os 160Nm disponíveis desde o momento zero, o alcance da bateria a 100% de carga caiu para pouco mais de 80kms, com a avisos de bateria a menos de 10% antes da carga.
Efetuei cargas em tomada de corrente doméstica durante o período da noite, tendo garantia de bateria a 100% pela manhã. A marca garante que são precisas 8h30 para um carregamento completo com a bateria a ‘zero’. Apesar de contar com cabos para tal, não tive oportunidade para efetuar um carregamento num PCR e avaliar as diferenças.
O ForFour vem limitado a 130km/h (110km/h em modo ECO) e é capaz de acelerar dos 0-100 em 12,7s. Nota importante para o facto de rubricar 5,5s de 0-60km/h, algo importante, tendo em conta a sua vertente predominantemente urbana.
Sempre que levantamos o pé do acelerador ou travamos, há lugar ao carregamento das baterias, proporcionando 5 níveis de retenção diferentes, que variam em função do modo de condução escolhido ou do trânsito que segue à nossa frente. A interpretação desse fluxo é feito através de um radar na dianteira e confesso que o sistema funciona bastante bem.
Com um peso de 1.200kg, este Electric Drive evolui em estrada e no meio do trânsito com imenso à vontade, demonstrando uma boa estabilidade, precisão nas trajetórias e um reduzido adornar de carroçaria. Ainda assim, a taragem de suspensão é a atirar para o ‘seco’, tornando-se  mais incómoda em pisos irregulares ou sempre que passamos por uma tampa de esgoto/lomba. O amortecimento mais firme, serviu de ‘prova dos nove’ para a solidez de construção, pois não houve ruídos de maior a registar.
Graças ao seu desconcertante raio de viragem de apenas 9m, este 4/4 desenvencilha-se de forma exemplar de situações mais ‘apertadas’ e estacionar os seus 3.5m é uma brincadeira de crianças.
Ao cabo de 4 dias de convívio com este EV, os consumos registados variaram entre os 14.7KWh/100 em modo ECO e os 20.4KWh/100 em condução pouco ‘verde’ e de AC ligado.
Os preços para esta versão do 4/4 começam nos 23.400€, sendo que no caso da unidade ensaiada, o valor já ultrapassava os 27.000€.
Á título de exemplo, o novo Nissan LEAF com bateria de 40Kwh (este Smart tem 17,6), anuncia preços a partir de 30.950€, sendo incomparavelmente melhor em termos de autonomia, espaço habitável e performance.
Not so Smart then….