Eu tento, eu tento, eu tento…

Mas continuo a achar o desenho exterior deste RAV4 pouco agradável à vista.

Ela não! Ela adora! Ela adora o ar de Jipe e o facto de transmitir de imediato uma sensação de robustez e segurança!

Eu não… Eu acho que o RAV4 é feiote… sobretudo em azul escuro com jantes pretas…

Mas não, ela Gosta!

O tom escuro escamoteia até as verdadeiras dimensões deste SUV, pois noutro tipo de cor mais clara, estou certo que os 4.60m de comprimento por quase 1.70m de altura lhe confeririam um ar ainda mais… presente!

Eu acho a frente talvez a zona que mais dificuldade tenho em digerir neste modelo. A grelha frontal com os cantos a apontar para baixo, faz-me lembrar um emoji triste e a traseira alta e com uma 5ª porta elétrica de grandes dimensões (por sinal, leeenta … ), confere-lhe um ar ‘pesadão’.

Mas ela diz que eu estou só a embirrar e apressou-se logo a elogiar os 580 litros de mala, o generoso espaço atrás com a possibilidade acrescida de regular a inclinação do encosto em 60/40, o ângulo de abertura das portas traseiras…. É só virtudes e eu é que sou um chato, queres ver?

Um bocadinho, mas nem tanto. Ora vejamos…

No momento em que abri a porta e me sentei aos comando, fui surpreendido por uma qualidade interior que me fez pensar: ‘Alto lá! Este interior parece-me melhor que um Camry!’

Já embalado pelos confortáveis bancos em pele e tecido (com regulação elétrica para o condutor), aproveito para constatar a profusão de plásticos aborrachados no tablier, bem como zonas moles cobertas com pele sintética e costuras de tom igual à coloração dos bancos.

 

É evidente a solidez de montagem com folgas mínimas entre peças, denotando um rigor de construção assinalável.

Diz-me ela: ‘Ah! afinal gostas?’

Ao que respondo: ‘Por acaso gosto bastante! E não fossem este botões em plástico menos bom junto ao seletor da caixa ou comandos não iluminados nas portas e para mim era um nota 10!’

‘Lá estás tu a inventar defeitos…’ foi a frase que ouvi antes de acionar o botão de ‘Start’ e…. desfrutar do silêncio.

Pois é, o silêncio e suavidade das motorizações híbridas Toyota.

Neste caso, a nova configuração com 218cv de potência combinada, graças à conjugação de um novo bloco com 2.5 litros de ciclo Atkinson e alta eficiência térmica, capaz de produzir 177cv com um motor elétrico de 120cv e 202Nm de binário.

Se os 180km/h de velocidade máxima não me impressionam, já para ela são mais do que suficientes para justificar um ‘Vai mais devagar, sff!’

E se já arreliei a moça com um excesso, acho que não a vou submeter à prova dos 8.4s dos 0-100km/h, sob pena de conquistar ‘aquele’ olhar reprovador.

A eficiência destas motorizações começa por dar mostras do seu valor num primeiro trajeto em condições urbanas, ao rubricar uma média de consumo de 4.3l/100km. Em condições mais desafogadas com estradas nacionais e troços de autoestrada, as médias aproximam-se dos 6.5l/100. Valor que considero francamente bom, tendo em conta os mais de 1.600kgs de peso e a generosa superfície frontal, não abonando em prol da otimização de consumo de combustível.

A suavidade de marcha é surpreendente! E se mesmo no Camry pude criticar algum ruído excessivo do 2.5 quando em carga total, sou da opinião que este RAV4 revela um desempenho melhor nesse apartado. A intermitência com que deslizamos, ora elétrico até perto dos 120km/h, ora com um combustão em baixo volume, torna as viagens em momentos de descontraído prazer, sempre com uma excelente compostura no pisar, graças a uma suspensão de afinação equilibrada.

As imperfeições do piso são parcialmente digeridas pelos pneus de elevado perfil 225/60 em jantes de 18, sendo as ondulações do asfalto muito bem filtradas, concedendo um conforto constante aos seus passageiros.

‘Posso conduzir um bocadinho?’ Pergunta-me ela com voz doce…

Como seria de esperar, só há uma resposta possível: ‘Claro querida!’

O momento de euforia feminina que se segue é da exclusiva responsabilidade da autora e como tal, passo apenas a citar:

‘Ai o carro é o máximo! Gosto mesmo! É tão levezinho de conduzir! Ai adoro! E vamos assim altas a conduzir, vê-se super bem! E responde bem! Ai adoro! Ai ao volante o carro nem parece tão grande! Conduz-se mesmo muito bem! Ai gosto muito.. e os bancos são tão confortáveis! É que quem vê de fora, parece um carro grande e pesadão e depois é super fácil de conduzir!
E remata ela:
‘Ai olha, que eu não me importava de ter um destes. Quanto custa querido?’

Por momentos tremi!

Pois dado o entusiasmo da pergunta, seria fácil inferir que uma possível troca se avizinhava!
Perante a resposta: ‘Custa 50.000€ querida’, o rosto de alegria toldou um pouco e com uma expressão meio tristinha, exclamou: ‘Ah pois, ainda é muito dinheiro!’

Efetivamente, em termos absolutos e crus, a importância em causa não é propriamente pequena.

No entanto, numa análise mais cuidada, percebemos que os seus rivais diretos (Lexus NX300h e Honda CR-V) não custam propriamente menos, aportando este Toyota o sempre importante argumento da garantia do fabricante, passível de ir até aos 7 anos ou 160.000kms e 10 anos no que toca ao sistema híbrido.

Texto e Fotos: Pedro Bastos