Não fosse pelas 4 saídas de escape e este T-Roc conseguiria passar completamente despercebido em qualquer lugar… O que, para quem se predispõe pagar mais de 52.000€  por uma versão ‘exclusiva’  com 300cv, pode resultar algo frustrante!

Este é assim um modelo que me deixa algo confuso quanto ao seu ‘target market’, pois se por um lado é um modelo que apela claramente a  público jovem, por outro esse não é normalmente o segmento com o ‘firepower’ necessário para avançar para a sua aquisição.

Já um público mais maduro e com poder de compra, não verá no VW T-Roc R uma escolha propriamente óbvia.

É fácil concluir que se trata de um modelo de nicho, quase um exercício ao melhor estilo de ‘E porque não?’, a par com o seu irmão ‘premium’ Audi SQ2.

No ensaio que pude realizar à versão 1.0 TSI com 115cv (https://youtu.be/sV07lUWdESU) enalteci o rigor de construção, o design jovial do habitáculo e a qualidade geral, se bem que a profusão de plásticos rijos num interior alemão me tenha deixado algo apreensivo.

 

Mais ainda quando esta versão custa quase o dobro do seu irmão tricilíndrico!

A sofisticação encontra-se num patamar elevado e o nível de equipamento é vasto, sendo no entanto inversamente proporcional ao espaço proporcionado aos seus ocupantes. Quatro adultos viajam com relativo conforto sendo que ao 5º serão exigidos alguns sacrifícios ou, em alternativa, que viaje escondido nos 392 litros da bagageira, também ela ‘encolhida’ em virtude da presença da tracção integral ‘4Motion’.

 

 

O ar quase trivial desta versão especial do T-Roc, faz-nos esquecer que estamos perante um pequeno SUV que é capaz de atingir os 250km/h e saltar de 0-100km/h em apenas 4.8s, graças à presença de um sistema de ‘Launch Control’!
Um dos factores que muito contribuem para este andamento fortíssimo é a presença debaixo do capot do mesmo 2.0 TSI que equipa o Golf R, capaz de debitar 300cv a partir das 5.300rpm numa escalada incessante até às 6.500rpm! A vontade com que este motor come rotação até ao corte nunca deixa de surpreender e é justamente essa enorme disponibilidade e alegria mecânica que inviabilizam por completo a obtenção de médias com menos de dois dígitos!

 

É possível, mas é claro que não tem a mesma graça…

 

A caixa DSG de dupla embraiagem com 7 velocidades, casa na perfeição com os 400Nm de binário máximo, constantes entre as 2.000rpm e as 5.200rpm, permitindo sair desde que velocidade for, em que mudança for, com uma desfaçatez tal que só mesmo a cara de espanto dos outros automobilistas seria capaz de vos explicar!

 

Dei por mim a conduzir um pequeno SUV como se de um kart se tratasse… Pé esquerdo para travar, pé direito para acelerar, duas mãos no volante e a desfrutar das patilhas por trás deste, relembrando-me constantemente ‘É um T-Roc, é um T-Roc, é um T-Roc…’

 

 

A combinação de todos este factores, com um som de escape que vai engrossando à medida que todo o sistema vai ganhando temperatura, torna a condução verdadeiramente entusiasmante e podemos contar com um potente sistema de travagem (igual ao kit Performance para o Golf R) para rapidamente refrear excessos.

 

A ‘4Motion’ garante, por um lado, saídas de Apex em regime de ‘prego a fundo precoce’ e por outro, a capacidade de mantermos ritmos elevados mesmo em pisos pouco secos.

Temos disponíveis modos de tracção com uma orientação mais ‘off road’, sendo apenas condicionados pela altura do modelo ao solo (menos 20mm do que os demais T-Roc), incompatível com aventuras 4×4!

Este ‘R’ encontra-se como peixe na água em bom asfalto, permitindo níveis de diversão ao volante pouco comuns para uma tipologia de carroçaria desta natureza, chegando a enviar mais binário para o eixo traseiro quando optamos pelo modo de condução ‘RACE’.

Se algum (pequeno) defeito há a apontar em termos de comportamento esse está relacionado com uma suspensão mais elevada, que apesar de proporcionar um excelente controlo de todo o conjunto, não deixa de apresentar algum rolamento em curvas mais fechadas ou travagens mais fortes.

Ostentando umas normalíssimas jantes de 18 polegadas que lhe conferem um look mais elegante do que desportivo, termino como comecei, referindo novamente que só é pena o aspecto exterior quase banal deste ‘R’, ditando-lhe um futuro comercial pouco auspicioso em Portugal.

 

Texto e Fotos: Pedro Bastos