Lembro-me de ter conduzido um VW Touareg R5 TDi, algures em 2004. Com um ar pesadão e com um interior bem mais requintado do que o exterior, equipava com um sonoro pentacilíndrico diesel de 174cv.

 

 

A versão de 2018 que conduzi, faz hoje justamente 12 meses, tem apenas mais 1 cilindro e bem mais de 100cv de portência máxima!
Este 3.0 V6 TDi (mono turbo), é dono de uma suavidade e isenção de vibrações que só posso apelidar de excelente. Sendo que o único momento em que nos apercebemos que contamos com um diesel debaixo do capot, é perante a acção do sistema start/stop… que me apresso a desligar em quase todos os diesel que ensaio.
Capaz de produzir 286cv e um colossal binário máximo de 600Nm a partir das 2.250rpm, esta nova geração do Touraeg, é capaz de rubricar prestações de respeito, mesmo ostentando bem mais de 2 toneladas na balança. A transmissão é do tipo permanente ‘4 Motion’, aliada a uma eficiente caixa automática de 8 velocidades com programa ‘Sport’.
Uma velocidade máxima de 235km/h e uma aceleração de 0-100km/h em 6s, são suficientes para complicar a vida a mts hatchbacks com igual potência.
E isto enquanto transporta 5 adultos de forma desafogada, para além de 600 litros de carga, em total e completo conforto, graças à presença de uma suspensão pneumática e regulável. 
A insonorização do habitáculo encontra-se num patamar bastante elevado, sendo capaz de mascarar as velocidades altamente ilegais a que se circula em Autoestrada com um SUV desta robustez. A contar com avançados sistemas de ajuda à condução, como cruise control adaptativo, ou manutenção de faixa automática com intervenção na direcção, é caso para dizer que ‘faz tudo sozinho’, abrindo lugar ao deleite dos passageiros, mérito de todo o conforto proporcionado pelos excelentes bancos dianteiros, com regulação elétrica, aquecimento e função de massagem.
O design do tablier marca um corte radical com as anteriores gerações, apresentando um nível de sofisticação e qualidade ao nível do que de melhor se faz neste concorrido segmento dos SUV de luxo. As atenções são dominadas pela presença de instrumentação 100% digital e de um ecrã central de generosas dimensões, ombreando com certas produções elétricas das terras do tio Sam.
Todos os comandos são de utilização intuitiva e de fácil utilização, com destaque para uma resposta imediata do ecrã táctil mesmo antes do toque, reagindo antecipadamente à aproximação dos nossos dedos!
Exteriormente, é caso para dizer que a VW acertou em cheio, pois o look deste novo Touareg é, na minha opinião, muito bem conseguido. A frente apresenta um cunho deveras futurista, embelezada por grupos ópticos full-LED e o design de todo o conjunto apresenta um dinamismo que consegue disfarçar os quase 4.90m por 1.98m de largura, na perfeição.
O acesso ao interior é feito por grandes e pesadas portas com sistema de ‘soft-close’, capazes de abrir num ângulo tão generoso que se não as fecharmos antes de sentar, provavelmente teremos que voltar a sair para as conseguir alcançar.
Apesar de disponibilizar modos ‘offroad’ vários e regulação em altura da suspensão, a orientação destes veículos é predominantemente virada para uma utilização quase exclusiva em asfalto. O melhor exemplo disso verifica-se pela ausência de redutoras presente em gerações anteriores, bem como pela presença de umas enormes jantes de 20 polegadas, com pneus ‘quasi’ desportivos de reduzido perfil.
Para além disso, acredito que quem pague mais de 90.000€ (antes de extras) por este Touareg, não tenha em mente incursões trialeiras que vão além dos 200 metros de estrada de terra batida que leva à quinta de fim de semana.
  
Texto: Pedro Bastos
Fotos: João Meneses Photography