Conhecem aquela famosa expressão ‘Para se ficar mal, basta estarmos bem’? Pois é, passou-se comigo…
No início de 2004, regressado definitivamente a Portugal, o facto de ser detentor de um carro de matrícula espanhola, começava a gerar-me algumas ‘restrições’… digamos, chatas! Por exemplo, não conseguia obter o estatuto de ‘residente’ para receber o dístico da CML que me permitia estacionar gratuitamente na rua onde morava….
Informei-me junto do ACP, e poderia legalizar o meu carro em Portugal ao abrigo da lei do emigrante, não pagando imposto automóvel 😉 No entanto, havia algumas restrições associadas que me deixaram de ‘pé atrás’… só eu podia conduzir o carro e tinha que estar registado em meu nome, no mínimo, 18 meses!
Como na altura estava ‘between jobs’ e a investir num negócio particular, considerei que poderia ficar ‘preso’ ao carro e optei por vendê-lo!
Biiiiiig mistake!!!
E porquê? Simples…. porque a seguir fui comprar um carro lindíssimo, cheio de charme e carisma mas, e como poderão ler mais à frente, decidi despromover à distinta classe de ‘charuto’…. Aqui fica a minha história sobre o meu Jaguar XJR de 1995, o 21-86-PL!

O Jaguar XJR desta geração vinha equipado com um 6 cilindros em linha de 4.0 litros, ‘Supercharged’, com 320cv, sendo a tracção traseira entregue a uma caixa automática (do tempo da ‘outra senhora’) de 4 velocidades!
O binário marcava uma presença significativa do alto dos seus 520Nm às 3.000rpm, tendo o motor uma enorme disponibilidade para recuperar, mesmo sem o recurso à função de ‘kickdown’ da lentíssima caixa automática.
Pessoalmente, achei que os 320cv anunciados não correspondiam ao que esperava de um carro com este nível de potência… no entanto, não descarto a hipótese de ser um problema do meu carro, apesar de contar com somente 55.000km no conta-quilómetros!

 

O que é curioso, é que consumia combustível como se tivesse 500cv e 7.000cc de cilindrada!! Nunca, mas nunca, fiz médias inferiores a 25 litros/100!!
Dentro do conceito Jaguar, esperava uma ‘poltrona’ rolante mas, nada disso! Quando comparado com outro semelhante, o 740i que tive anteriormente, O jaguar ficava muitos furos abaixo!
Onde também me desiludiu, e muito, foi no espaço habitável e na capacidade da mala, o que não deixa de ser uma surpresa, dados os quase 5 metros do carro!
A qualidade de construção era fraca, com alguns ruídos parasitas ao nível das molduras das portas e consola central, sendo algo de inacreditável num carro que era, na altura, o porta- estandarte da marca!!

Perguntar-me-ão vocês: ‘Mas o carro não tinha nada de bom?’
Efectivamente tinha…. era lindo de morrer! Não me cansava de olhar para ele! É daqueles carros que, com o ‘British Racing Green’ a brilhar, faz virar muitas cabeças… ainda hoje!
Tirando isso, afirmo convictamente que foi dos piores carros que tive até hoje…. Talvez por isso tenha sido o 13º!